“Sou feito da inteira evolução da Terra; sou um microcosmo do macrocosmo. Nada há no universo que não esteja em mim. O inteiro universo está encapsulado em mim, como uma árvore numa semente. Nada há ali fora no universo que não esteja aqui, em mim. Terra, ar, fogo, água, tempo, espaço, luz, história, evolução e consciência – tudo está em mim. No primeiro instante do Big Bang eu estava lá, por isso trago em mim a inteira evolução da Terra. Também trago em mim os biliões de anos de evolução por vir. Sou o passado e o futuro. A nossa identidade não pode ser definida tão estreitamente como ao afirmar que sou inglês, indiano, cristão, muçulmano, hindu, budista, médico ou advogado. Estas identidades rajásicas são secundárias, de conveniência. A nossa identidade verdadeira ou sáttvica é cósmica, universal. Quando me torno consciente desta identidade primordial, sáttvica, posso ver então o meu verdadeiro lugar no universo e cada uma das minhas acções torna-se uma acção sáttvica, uma acção espiritual”

- Satish Kumar, Spiritual Compass, The Three Qualities of Life, Foxhole, Green Books, 2007, p.77.

“Um ser humano é parte do todo por nós chamado “universo”, uma parte limitada no tempo e no espaço. Nós experimentamo-nos, aos nossos pensamentos e sentimentos, como algo separado do resto – uma espécie de ilusão de óptica da nossa consciência. Esta ilusão é uma espécie de prisão para nós, restringindo-nos aos nossos desejos pessoais e ao afecto por algumas pessoas que nos são mais próximas. A nossa tarefa deve ser a de nos libertarmos desta prisão ampliando o nosso círculo de compreensão e de compaixão de modo a que abranja todas as criaturas vivas e o todo da Natureza na sua beleza”

- Einstein

“Na verdade, não estou seguro de que existo. Sou todos os escritores que li, todas as pessoas que encontrei, todas as mulheres que amei, todas as cidades que visitei”

- Jorge Luis Borges

Mostrar mensagens com a etiqueta Agostinho da Silva. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Agostinho da Silva. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Colóquio Internacional "Agostinho da Silva: Pensador Universal do Tempo Presente" - 16-17 Fevereiro - FLUL


Comemoraram-se, a 13 de Fevereiro de 2016, 110 anos do nascimento de Agostinho da Silva e a sua memória e a fecundidade do seu pensamento e obra não cessam de se tornar mais vivas. É já um lugar comum reconhecer que Agostinho da Silva anteviu há cerca de meio século temas, questões e desafios cruciais da crise do mundo contemporâneo, para os quais apontou soluções e caminhos que, com toda a sua problematicidade, não deixam de ser hoje muito pertinentes.

Agostinho foi um pensador original de todas as experiências fundamentais do ser humano, desde a espiritualidade e a religião até à política. Além disso, foi um tradutor criativo, poeta e escritor de elevado nível, um educador activo na criação de múltiplos centros de estudos e universidades.

A sua obra de vida, escrita e pensamento transmite-nos uma poderosa visão alternativa aos rumos ainda dominantes, mas cada vez mais críticos, do paradigma globalizado de consciência e de civilização. Agostinho é o visionário de um outro mundo possível à escala planetária, radicado numa espiritualidade emancipadora da consciência, no diálogo compreensivo e fraterno entre religiões e culturas, aberto a crentes e descrentes, na transcensão de velhos modelos e antinomias pedagógicas, políticas, económicas e sociais e numa abertura amorosa do humano a todos os seres vivos e à Terra.

Agostinho pensa também o papel mediador que na criação desse mundo podemos ter, cada um de nós e as culturas portuguesa, lusófona e ibero-americanas, em diálogo e cooperação fraternos com todos os povos e culturas.

É assim o momento de repensar Agostinho crítica e criativamente, quer o seu pensamento propriamente dito, quer as vias que a partir dele, das suas fontes e das suas questões se abrem para uma melhor compreensão do tempo presente que ajude a superar a crise que hoje somos. É este o objectivo deste Colóquio Internacional, que reúne especialistas dos estudos agostinianos e uma nova geração de jovens investigadores, numa abordagem multidisciplinar que abra caminhos novos para uma melhor compreensão da complexidade e fecundidade do pensamento e obra agostinianos.

Programa do Colóquio Internacional
AGOSTINHO DA SILVA: PENSADOR UNIVERSAL DO TEMPO PRESENTE
16 e 17 de fevereiro de 2016, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Anfiteatro III, Entrada Livre

Iº DIA – 16 DE FEVEREIRO

09h30 – Abertura do Colóquio, por Paulo Borges e Miguel Real

09h45 – Sessão 1 (Espiritualidade e Religião I) Moderação: Fabrizio Boscaglia

09h45 – Luís Santos, O pensamento ecuménico de Agostinho da Silva

10h05 – Manuele Masini, A Idade do Espírito: uma leitura de Agostinho da Silva à luz de Gioacchino da Fiore

10h25 – Annabela Rita, “No espelho d’água da vida” (evocação)

10h45 Debate

11h15 – Intervalo

11h30 – Sessão 2 (Do Passado ao Futuro) Moderação: Paulo Borges

11h30 – Adelina Andrês, A Humanidade de Agostinho, um Presente que Passado e Futuro oferecem para desfrutar

11h50 – Carlos Carranca, Agostinho – um ponto de vista

12h10 – José Eduardo Reis, Agostinho da Silva e a tomada de consciência do alimento: convergências com posições doutrinais de Amílcar de Sousa, presidente da Sociedade Vegetariana do Porto do primeiro quartel do século XX, e com a dimensão ética dos “food studies”

12h30 – João Rodil, Cumprir Agostinho

12h50 – Debate

13h20 – Almoço livre

14h45 – Sessão 3 (Educação e Criatividade) Moderação: Giancarlo de Aguiar

14h45 – Amândio Silva, Agostinho e a Universidade

15h05 – Maurícia Teles, Liberdade, Amor e Criatividade, em Agostinho da Silva

15h25 – Risoleta P. Pedro, O fingimento poético em Agostinho da Silva – máscara, ficção e verosimilhança

15h45 – Maria Eduarda FariaRosa, Análise da novela “Macaco-Prego”

16h05 – Debate

16h35 – Intervalo

16h50 – Sessão 4 (Espiritualidade e Religião II) Moderação: Dirk-Michael Hennrich

16h50 – Fabrizio Boscaglia, Agostinho da Silva e o Islão

17h10 – Pedro Martins, Agostinho da Silva, o marrano do Divino

17h30 – Paulo Borges, Espírito Santo, Zen e o novo paradigma da consciência em Agostinho da Silva

17h50 – Debate

18h20 – Intervalo

18h35 – José Adelino Maltez, Agostinho. Da aldeia à república universal (Moderação: Paulo Borges)

19h05 – Encerramento do Iº dia

IIº DIA – 17 DE FEVEREIRO

9h30 – Sessão 5 (Filosofia e Pensamento I) Moderação: Dirk-Michael Hennrich

9h30 – Carlos Silva [lido por Paulo Borges], Efeméride do pensar (e não Agostinho da Silva efémero) – Uma cisma cartesiana

9h50 – Sofia A. Carvalho, O terrível mistério de Diotima: considerações sobre ascese e imaginação em Agostinho da Silva e Friedrich Hölderlin

10h10 – Maria Celeste Natário e Maria Luísa Malato, Conversa com Diotima: Do Estrangeiro em Agostinho ao Estrangeiro em Albert Camus

10h30 – Rui Lopo e Felipe Delfim Santos, Agostinho da Silva e Delfim Santos: uma correspondência cultural e filosófica

10h50 – Debate

11h20 – Intervalo

11h35 – Sessão 6 (Espiritualidade e Religião III) Moderação: Giancarlo de Aguiar

11h35 – Pedro Teixeira da Mota, Agostinho da Silva e a Tradição Espiritual Portuguesa

11h55 – José Manuel Anacleto, Agostinho da Silva e a liberdade radical

12h15 – Manuel Gandra, A Terceira Revelação

12h35 – Debate

13h05 – Almoço livre

14h30 – Sessão 7 (Lusofonia e Brasil) Moderação: Fabrizio Boscaglia

14h30 – Giancarlo de Aguiar, A Cultura Indígena do Brasil nos ensaios de Agostinho da Silva

14h50 – Dirk-Michael Hennrich, Reflexão à margem da ‘Teoria do Brasil’ : Um meio século depois

15h10 – Renato Epifânio, Em diálogo com Agostinho da Silva: repensar a Lusofonia no século XXI

15h30 – Debate

16h00 – Intervalo

16h15 – Sessão 8 (Filosofia e Pensamento II) Moderação: Paulo Borges

16h15 – Pedro Vistas, “Antes teor que teorema”: do amor pela sabedoria à Sabedoria do Amor

16h35 – Miguel Real, Agostinho da Silva e o Providencialismo Português do Século XX

16h55 – António Braz Teixeira, Para uma visão de conjunto do pensamento filosófico de Agostinho da Silva

17h15 – Debate

17h45 – Intervalo

18h00 – Miguel Real, Apresentação do livro Agostinho da Silva. Uma Antologia (org. Paulo Borges), 2ª edição (Moderação: Fabrizio Boscaglia)

18h20 – Conferência de Encerramento: Eduardo Lourenço, Filosofia e Profetismo (Moderação: Paulo Borges)

Comissão Científica

Paulo Borges
Miguel Real

Comissão Organizadora

Paulo Borges
Fabrizio Boscaglia
Dirk Henrich

Entrada Livre
Anfiteatro III
Metro: Cidade Universitária

Organização: Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa
Apoios: Associação Agostinho da Silva / Círculo do Entre-Ser

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Curso de Introdução ao Pensamento de Agostinho da Silva


---------------
inscrições: http://goo.gl/forms/nIw4YXNXK0
---------------

5ªs feiras, 19 e 26 de Fevereiro, 5, 12, 19 e 26 de Março, das 19 às 20.30.

Ainda na comemoração dos 20 anos da partida de Agostinho da Silva, a associação filosófica e ética Círculo do Entre-Ser, que o conta como um dos inspiradores da sua visão de um novo paradigma cultural e civilizacional, oferece este curso de introdução às várias vertentes do seu pensamento.

1 – Não sou do ortodoxo nem do heterodoxo; cada um deles só exprime metade da vida, sou do paradoxo que a contém no total” – O homem, a vida e a obra.

2 – “Existe um Deus que é o conjunto de tudo quanto apercebemos no Universo. Tudo o que existe contém Deus, Deus contém tudo o que existe”: Metafísica, teologia e cosmologia.

3 – “Vai sendo o que sejas até seres o que és, que é Deus sendo; e, cuidado, não te percas enquanto vais sendo”; “Nascemos estrelas de ímpar brilho”; “Só há homem quando se faz o impossível” - Antropologia, ética e educação.

4 – “A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo” - Sociedade, política e economia.

5 – “O Tudo para Todos, nós o poderíamos organizar melhor que ninguém”; “são sinónimos, nos vários dialectos, sociedade sem classes, reino de Deus, acracia ou anarquia, e até o Quinto Império, do Vieira a Pessoa” - A Idade de Ouro, a história e a sua superação. O culto popular do Espírito Santo e a vocação universalista de Portugal e da comunidade lusófona. Camões, Vieira, Fernando Pessoa e o Quinto Império sem imperador, reino da fraternidade cósmica.

6 – “Crente é pouco sê-te Deus / e para o nada que é tudo / inventa caminhos teus”; “Mas os tempos virão, os tempos de ser Deus” - Uma espiritualidade visionária, holística, ecuménica e trans-religiosa.

O Curso é organizado pelo Círculo do Entre-Ser nas instalações do Centro Lusitano de Unificação Cultural, na R. Pascoal de Melo, 4 - 1º, em Lisboa, e será orientado por Paulo Borges.

Paulo Borges é professor de Filosofia na Universidade de Lisboa, presidente do Círculo do Entre-Ser, ex-presidente (de 2004 a 2013) e membro da Direcção da Associação Agostinho da Silva. É autor e organizador de cerca de 40 livros de ensaio filosófico, ficção, poesia e teatro. Conviveu com Agostinho da Silva nos últimos doze anos da sua vida, foi presidente da Comissão das comemorações oficiais do Centenário do seu nascimento em 2006 e é autor ou organizador das seguintes obras sobre o seu pensamento:

Agostinho da Silva. Dispersos (apresentação e organização), Lisboa, ICALP, 1988; 1989 (2ª edição).
Obras de Agostinho da Silva (organização e introduções), 12 volumes, Lisboa, Âncora Editora / Círculo de Leitores, 1999-2003.
Agenda 2006. Agostinho da Silva (introdução geral, selecção de textos, introduções específicas e coordenação editorial), Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2006.
Agostinho da Silva. Uma Antologia (organização e introdução), Lisboa, Âncora Editora, 2006.
Tempos de ser Deus. A espiritualidade ecuménica de Agostinho da Silva, Lisboa, Âncora Editora, 2006.
Línguas de Fogo. Paixão, Morte e Iluminação de Agostinho da Silva, Lisboa, Ésquilo, 2006 (ficção).
Folia. Mistério de Pentecostes em três actos, Lisboa, Ésquilo, 2007 (drama).

Contribuição: 45 euros. Limite de 30 inscrições.

Inscrições:

Pode inscrever-se preenchendo o seguinte formulário: http://goo.gl/forms/nIw4YXNXK0 ou mandando um mail para pensamentoAS@circuloentreser.org.

A sua inscrição só será efectivada após recebimento do valor de 25€ referente à jóia de inscrição. Poderá fazer a transferência para o NIB 0010 0000 48372440001 68 e enviar o comprovativo para o endereço de email pensamentoAS@circuloentreser.org, indicando o NIF para emissão de recibo.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Estarei hoje na última sessão dos Diálogos do Ciclo Conversas Vadias "com" Agostinho da Silva


Amigos, é já esta noite que encerrarei este ciclo, na véspera do aniversário do nascimento de Agostinho da Silva. Sejam bem-vindos e tragam mais amigos. A adesão está a ser enorme e o evento passou para um espaço maior. Até logo.

13º Diálogo do Ciclo Conversas Vadias "com" Agostinho da Silva.

Este diálogo é o último deste ciclo, e contará com a presença de Paulo Borges (professor de Filosofia na Universidade de Lisboa, presidente do Círculo do Entre-Ser, ex-presidente (de 2004 a 2013) e membro da Direcção da Associação Agostinho da Silva. Conviveu com Agostinho da Silva nos últimos doze anos da sua vida)

Saibam mais sobre a Cozinha Popular da Mouraria em https://www.facebook.com/CozinhaPopularDaMouraria).

Mais informações em http://conversasvadias.eventbrite.pt/

20h00 - 21h00: Jantar (com opção vegetariana), para jantar inscrever previamente por email para diogo.cordeiro@joaosemmedo.org indicando o número de pessoas até segunda-feira 9 de Fevereiro.

21h00 - 21h15 - Chegar à Cozinha Popular da Mouraria
21h15 - 21h30 - Chegar ao Grupo Desportivo da Mouraria (antigo palácio dos Távora - a 2 min a pé da Cozinha Popular) (1)
21h-30 ~ 22h : Visualização de “Conversa Vadia” entre Agostinho da Silva e Joaquim Vieira ("jornalista")
22h00 ~ 23h30 - Diálogo e Perguntas e Respostas com Paulo Borges

(1) - Em jeito de celebração e graças à adesão que tivemos para este último diálogo (esperamos entre 40 a 50 pessoas), a par com a lotação limitada da Cozinha Popular no dia de hoje, tivemos a oportunidade, que acolhemos (graças à Adriana - da Cozinha Popular) de utilizar o espaço do Grupo Desportivo da Mouraria, na Travessa da Nazaré, 21, que fica a 2 minutos a pé da Cozinha Popular. Subindo a Calçada do Monte mesmo em frente à Cozinha, é a primeira à esquerda. Se seguirmos a Rua das Olarias (a da Cozinha) (com a Cozinha Popular do lado esquerdo), é à primeira rua à direita.
Ver no mapa no link em baixo onde fica:
https://goo.gl/maps/XgEHw

"São viver, ter amigos como o senhor, capazes de porem questões que é preciso discutir e poder falar de tudo e ver tudo louvando sobretudo e acima de tudo a liberdade que têm as pessoas de dizer o que lhes apetece onde lhes apetece sem provar nem uma coisa nem outra" ( Agostinho da Silva, na conversa com Joaquim Vieira, respondendo à pergunta "Quais são os seus projectos para o futuro?")

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Novas Conversas Vadias (sobre Agostinho da Silva)


Ainda no âmbito das comemorações dos 20 anos da partida de Agostinho da Silva, a Livraria e Galeria Fabula Urbis e o Círculo do Entre-Ser (associação filosófica e ética), com o apoio da Associação Agostinho da Silva, relançam as Conversas Vadias (título de um célebre programa de televisão com a presença de Agostinho da Silva e de vários interlocutores), num espírito de tertúlia, em torno de cinco temas:

7 de Fevereiro – Paulo Borges, “Agostinho da Silva, Fernando Pessoa e a Mensagem: a vocação universalista de Portugal e da comunidade lusófona” (com a apresentação do livro É a Hora! A mensagem da Mensagem de Fernando Pessoa)
14 de Fevereiro – Fernando Dacosta, “Agostinho da Silva e Lisboa”
21 de Fevereiro – Maurícia Teles, “A poesia de Agostinho da Silva”
7 de Março – José Manuel Anacleto, “Agostinho da Silva e a sabedoria universal”
14 de Março - Miguel Real, “Agostinho da Silva no pensamento português anterior e posterior”


Todas as sessões realizam-se aos Sábados, das 18.30 às 20.30, e a entrada é livre (cerca de 30 lugares disponíveis).

Local: Fabula Urbis, Rua de Augusto Rosa, 27 (junto à Sé de Lisboa)
Tel. 21 888 50 32
http://www.fabula-urbis.pt/
fabula-urbis@fabula-urbis.pt

Informações sobre o evento: info@circuloentreser.org / 918113021

Círculo do Entre-Ser:

FACEBOOK:
http://www.facebook.com/circuloentreser

GOOGLE+:
https://plus.google.com/u/0/b/110204924555936350722/110204924555936350722/posts

YOUTUBE:
https://www.youtube.com/channel/UCNCjB_7Nv__Br4aEyUPe41g

TWITTER:
https://twitter.com/CirculoEntreSer

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Preguiça de pensar todo o pensável


"O homem tem preguiça, em geral, de pensar todo o pensável e contenta-se com fragmentos de ideias, recusa-se a uma coerência absoluta. Não leva até ao fim o esforço de entender. E, exactamente porque não o faz, toma, em relação à sua capacidade de inteligência, uma absurda posição de orgulho. Compara o pouco que entendeu com o menos que outros entenderam, jamais com o muito que os mais raros puderam perceber."

- Agostinho da Silva, As Aproximações.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

"Animal está no mundo para ser nosso companheiro, não nosso escravo e vítima" - Agostinho da Silva


Agostinho da Silva aponta uma das principais razões para votar PAN no dia 25:

"Animal está no mundo para ser nosso companheiro, não nosso escravo e vítima"

- "Proposição", 1974.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Eusébio


Que fique claro que reconheço e aprecio o enorme talento futebolístico de Eusébio. O que é todavia digno de ser reflectido, por ocasião desta onda emocional em torno da sua morte, é a tremenda necessidade que os portugueses, e com eles quase todos os povos, têm de mitos, símbolos e ídolos colectivos. Tal como é significativo, e dá que pensar, que quase sempre esses mitos, símbolos e ídolos colectivos sejam governantes, políticos, artistas e desportistas e muito mais dificilmente heróis éticos que consagraram a sua vida ao serviço desinteressado do bem comum. É muito mais fácil alguém tornar-se um mito em vida e após a morte se for um catalisador visível e espectacular de fortes emoções colectivas, ainda que no fundo não possa servir de exemplo de vida para ninguém, do que se for um obscuro cuidador e servidor da vida dos outros, sejam humanos ou animais. Todavia, como no fundo se sabe que essa mitificação é vã e desprovida de fundamento, procura-se justificá-la com razões mais veneráveis. É por isso que já se compara Eusébio a Nelson Mandela (e sabe-se lá a quem se comparará um dia Cristiano Ronaldo). É na verdade muito mais fácil fazer de um ser humano poderoso, famoso e popular um herói ético do que de um herói ético um homem popular, famoso e poderoso (pela recordação e cultivo do seu exemplo). É por isso que mais facilmente Afonso Henriques, Vasco da Gama, Salazar, Amália, Eusébio, Figo ou Cristiano Ronaldo são símbolos nacionais do que um Aristides de Sousa Mendes, que arriscou a sua posição e vida para salvar a dos outros, ou um pensador e educador como Agostinho da Silva que sempre viveu de acordo com ideais nobres, sendo o único professor a ser demitido do ensino oficial em 1935 por se recusar a cumprir a Lei Cabral, que obrigava os funcionários públicos a uma declaração de não pertencerem a nenhuma sociedade secreta (ele que não pertencia a nenhuma e passou a viver de explicações, tendo já mulher e filhos). Porque será que o povo e o poder instituído, numa estranha aliança, veneram os primeiros e tudo fazem para esquecer os segundos ou remetê-los para um modestíssimo lugar na memória colectiva? Seria demasiado perigoso e desestabilizador do sonambulismo mental e social dominante assumir como exemplos a seguir, não o poder, os grandes feitos históricos, a fama e a popularidade, mas a ética do despojamento do egoísmo e a missão de despertar consciências? Sim, seria demasiado perigoso: arriscávamo-nos a ser um país a sério e a ter um sentido para a vida, em vez de andarmos anestesiados com emoções fugazes da opressão em que vivemos e suportarmos tanta mediocridade reinante.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Liberdade política sem liberdade económica?


"A liberdade política é perfeitamente ilusória enquanto não se tem liberdade económica, pela coacção exercida por quem dispõe dos meios de produção, de transporte e de crédito"

- Agostinho da Silva.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

"...português, na sua plena forma brasileira"


"(…) Claro que sou cristão, e outras coisas, por exemplo budista, o que é, para tantos, ser ateísta; ou, outro exemplo, pagão. O que, tudo junto, dá português, na sua plena forma brasileira. (…)"

- Agostinho da Silva

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Uma economia que destrói tudo


"(…) É uma economia do trabalho, da produção, (…) que toma conta da terra, das plantas, dos animais, dos homens, de tudo"

- Agostinho da Silva, Vida Conversável.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Agostinho da Silva, Fernando Pessoa e a Mensagem em Setúbal

Em Torno de Agostinho da Silva

II Ciclo de tertúlias na Casa Bocage
Rua Edmond Bartissol 12, Setúbal
2 Novembro, 16h

"Agostinho da Silva e a Mensagem de Fernando Pessoa”, por Paulo Borges

Lançamento do livro: "É a Hora! A mensagem da Mensagem de Fernando Pessoa", de Paulo Borges

quinta-feira, 27 de junho de 2013

O que é o Amor?



O que é o amor, essa palavra que tão fundo ressoa na mente e no coração humanos e tão intimamente se associa às maiores aspirações, sonhos, gratificações, medos e frustrações da humanidade em todos os tempos? Uma possível etimologia é o indo-europeu “amma”, que designa a expressão da criança que chama pela mãe. Daí pode ter vindo o latino “amare”, que significa “dar carícias de mãe”. Daqui haver quem defenda que “amar” se relaciona com “mamar” ou “amamentar”.

As múltiplas modalidades do amor desenvolvem-se porventura entre estas duas possibilidades extremas: o dom incondicional de si para o bem do outro, como uma mãe que oferece o seio ao recém-nascido sem esperar nada em troca, e o apego e sucção voraz da criança no seio materno, pois disso depende a sua sobrevivência. Entre estas duas experiências, e combinando-as de modo complexo, se estendem os múltiplos níveis da escala que Jean-Yves Leloup vê como o “arco-íris” do modo humano de viver a experiência amorosa. Consoante as suas designações na língua grega, teríamos assim, da forma mais condicionada à mais livre: 1) porneia, o amor como apetite devorador; 2) pothos, o amor como necessidade e carência possessiva; 3) mania, pathé, o amor como paixão e sedução igualmente possessiva; 4) eros, o amor vivido como interesse erótico; 5) philia, o amor amizade, nos seus vários níveis; 6) storgé, o amor ternura; 7) harmonia, o amor harmonioso e bondoso, primeiro nível do amor desinteressado; 8) eunoia, o amor como dedicação e compaixão; 9) charis, o amor como gratidão e celebração, sem porquê nem para quê; 10) agapé, o amor gratuito e incondicional, na tradição cristã idêntico a Deus [1], que não seria tanto um ser que ama, mas o próprio Amor.

Ao longo dos vários níveis desta escala sobe e desce a vivência humana do amor, quase sempre sem se fixar exclusivamente num deles de modo exclusivo de todos os outros, o que faz do amor um sentimento tão complexo e impenetrável aos olhos do próprio sujeito que ama. Cremos, com Jean-Yves Leloup, que o amor mais puro, livre e incondicional está igualmente presente em todos os níveis desta escala, assegurando a unidade de todas as formas de o viver, desde a mera potencialidade na base até à sua plena actualização no topo, sendo próprio da comum condição humana transitar de uma para outra destas várias modalidades de amar, conjugando-as por vezes em simultâneo a respeito dos mesmos objectos, seres e pessoas.

Na verdade, o que queremos dizer quando dizemos: “Amo-te”, essa declaração paradoxalmente tão tremenda e vulgar? “Estou aqui, completamente disponível para o teu bem, sem esperar retribuição ou reconhecimento”, ou “Quero prender-te e devorar-te, física, emocional ou mentalmente, como mero objecto que satisfaça a minha carência e substituto do seio ou chucha perdidos?”. Ou “Amo-te” quer dizer um complexo e confuso misto de tudo isso?

Ocorre citar aqui Agostinho da Silva: “[…] Sobretudo no amor se deve ter cuidado; gostar dos outros e lhes querer bem tem sido o motivo de muita opressão e de muita morte dos espíritos. […] Não tens, essencialmente, de amar nos outros senão a liberdade, a deles e a tua; têm, pelo amor, de deixar de ser escravos, como temos nós, pelo amor, de deixar de ser donos do escravo”.

Cabe na verdade perguntarmos e sobretudo perguntar-nos: Amor ou apEgo? Experiência de ser fonte que superabunda e sacia quem dela beber sem nada exigir em troca ou sensação de fome e sede indigente e ávida de satisfação, consolo e gratificação, que faz do outro um mero objecto de consumo? Da resposta e dos níveis de mistura e confusão entre um e outro depende boa parte do sofrimento humano em todos os tempos e lugares, como por experiência bem sabemos. Não é verdade?



[1] Cf. Catherine Bensaid e Jean-Yves Leloup, O Essencial no Amor. As diferentes faces da experiência amorosa, Petrópolis, Vozes, 2006, pp.126-128.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

"... ir o País de Camões entrar no supermercado da C.E.E, e ir ser consumista sem dinheiro, o que quero ver"



"E aqui pararia e pediria desculpa de me ter alongado até tão tarde, que já quase vem o dia onze, véspera, não se esqueça, de ir o País de Camões entrar no supermercado da C.E.E, e ir ser consumista sem dinheiro, o que quero ver.
Comigo, não há risco. Tenho bastante de Barca d'Alva e de Porto, de América Latina e de África, de Nagasaqui e de Macau e de Timor, para que me dê qualquer tentação de afogar-me nos pântanos de leite da sobredita Europa".

- Agostinho da Silva, Caderno de Lembranças, 2006 (escrito em 1986)

quarta-feira, 3 de abril de 2013

"Não sou do ortodoxo nem do heterodoxo; cada um deles só exprime metade da vida; sou do paradoxo que a contém no total"



"Não sou do ortodoxo nem do heterodoxo; cada um deles só exprime metade da vida; sou do paradoxo que a contém no total"

- Agostinho da Silva, Pensamento à Solta, in Textos e Ensaios Filosóficos II, p. 145.

Agostinho da Silva partiu em 3 de Abril de 1994.

domingo, 31 de março de 2013

Em homenagem a Agostinho da Silva, grande inspirador, que partiu no Domingo de Ressurreição, 3 de Abril de 1994, há 19 anos, para ficar eternamente presente.





Em homenagem a Agostinho da Silva, grande inspirador, que partiu no Domingo de Ressurreição, há 19 anos (3 de Abril de 1994), para ficar eternamente presente.

“O que é que eu penso da morte? Não penso nada, porque nunca morri, não tenho nada que me pronunciar sobre esse assunto. Deixa-me morrer, porque depois, se houver alguma coisa e eu puder dizer, eu comunico para você, sou seu amigo, porque é que não hei-de comunicar, não é?”

- Agostinho da Silva, Depoimento filmado.


sexta-feira, 29 de março de 2013

“Nenhum político deve esperar que lhe agradeçam ou sequer lhe reconheçam o que faz"




“Nenhum político deve esperar que lhe agradeçam ou sequer lhe reconheçam o que faz; no fim de contas era ele quem devia agradecer pela ocasião que lhe ofereceram os outros homens de pôr em jogo as suas qualidades e de eliminar, se puder, os seus defeitos; o seu ideal deveria ser o de passar anónimo e o de ver com olhar nem sequer indiferente mas agradecido que atribuam a outro o que ele próprio realizou; as tarefas lhe devem ser difíceis porque é o fácil o predilecto reino do Diabo; e se, no fim da jornada, reconhecer que não realizou qualquer sonho que por acaso tenha, console-o ter possibilitado a realização dos sonhos de muitos outros, que, por serem pequenos em âmbito, não eram talvez menores em intensidade, e é isto o que verdadeiramente conta. Político não veio ao mundo para se satisfazer a si próprio: veio para se modelar, veio para se libertar do que lhe era inferior, e não representa num determinado campo senão o que devia ser feito por todos os homens, qualquer que seja a sua especialidade”

- Agostinho da Silva, “As Aproximações” (1960), Textos e Ensaios Filosóficos, II, pp.62-63.