“Sou feito da inteira evolução da Terra; sou um microcosmo do macrocosmo. Nada há no universo que não esteja em mim. O inteiro universo está encapsulado em mim, como uma árvore numa semente. Nada há ali fora no universo que não esteja aqui, em mim. Terra, ar, fogo, água, tempo, espaço, luz, história, evolução e consciência – tudo está em mim. No primeiro instante do Big Bang eu estava lá, por isso trago em mim a inteira evolução da Terra. Também trago em mim os biliões de anos de evolução por vir. Sou o passado e o futuro. A nossa identidade não pode ser definida tão estreitamente como ao afirmar que sou inglês, indiano, cristão, muçulmano, hindu, budista, médico ou advogado. Estas identidades rajásicas são secundárias, de conveniência. A nossa identidade verdadeira ou sáttvica é cósmica, universal. Quando me torno consciente desta identidade primordial, sáttvica, posso ver então o meu verdadeiro lugar no universo e cada uma das minhas acções torna-se uma acção sáttvica, uma acção espiritual”

- Satish Kumar, Spiritual Compass, The Three Qualities of Life, Foxhole, Green Books, 2007, p.77.

“Um ser humano é parte do todo por nós chamado “universo”, uma parte limitada no tempo e no espaço. Nós experimentamo-nos, aos nossos pensamentos e sentimentos, como algo separado do resto – uma espécie de ilusão de óptica da nossa consciência. Esta ilusão é uma espécie de prisão para nós, restringindo-nos aos nossos desejos pessoais e ao afecto por algumas pessoas que nos são mais próximas. A nossa tarefa deve ser a de nos libertarmos desta prisão ampliando o nosso círculo de compreensão e de compaixão de modo a que abranja todas as criaturas vivas e o todo da Natureza na sua beleza”

- Einstein

“Na verdade, não estou seguro de que existo. Sou todos os escritores que li, todas as pessoas que encontrei, todas as mulheres que amei, todas as cidades que visitei”

- Jorge Luis Borges

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Dia 24, 18:30, Miguel Real apresenta o meu novo livro, "Do Vazio ao Cais Absoluto ou Fernando Pessoa entre Oriente e Ocidente"


Convido-vos para a apresentação do meu novo livro, "Do Vazio ao Cais Absoluto ou Fernando Pessoa entre Oriente e Ocidente" (Lisboa, Âncora, 2017), pelo escritor e pensador Miguel Real, no dia 24, às 18:30, na Sala de Actos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Este livro mostra um Fernando Pessoa que transita em duplo sentido entre o Vazio e o Cais Absoluto, dois temas e imagens marcantes na sua obra e icónicos do Oriente e do Ocidente. Na verdade, um Fernando Pessoa que, bem pessoanamente, se move entre um e outro, sem jamais se fixar num ou noutro. "Entre" é o espaço por excelência do fluxo pessoano. Entremos nele

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Crowdfunding CES (2) - Apelo à vossa contribuição



Comunicar é preciso!
Para expandirmos as nossas actividades a quem não as pode frequentar presencialmente, necessitamos de uma câmara de vídeo HD e de um computador, de forma a procedermos à gravação de imagem e som e divulgação através dos vários canais, um Vídeoprojector para disponibilização de material, e uma impressora. 
Pedimos um valor mínimo, 1€, embora aceitemos e igualmente agradeçamos qualquer valor, porque acreditamos que pequenos gestos feitos por muitas pessoas podem mudar o mundo.
Apoia a nossa campanha aqui: https://ppl.com.pt/pt/prj/comunicar-e...

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O Paradoxo do 1 de Maio - Celebrar o Trabalho?


No dia de hoje publico um texto do meu livro "Quem é o Meu Próximo?", ligeiramente modificado, como contributo para a libertação da idolatria do trabalho:

"O Paradoxo do 1 de Maio - Celebrar o Trabalho?

O dia de hoje é paradoxal. Celebra-se o trabalhador, na efeméride de uma manifestação contra a exploração do trabalho pela civilização burguesa e capitalista, mas esquece-se que o trabalho é precisamente o valor em nome do qual essa civilização triunfou e que foi estranhamente assumido e divinizado pela quase totalidade do movimento socialista. A nova religião do sucesso pelo trabalho surgiu nos países do Norte da Europa (como mostrou Max Weber) e generalizou-se também em nome da emancipação da escravatura da maioria activa e produtiva da população para que alguns - clero e nobreza - vivessem desocupados, mas acabou por democratizar e universalizar essa escravatura, com a planetarização do Ocidente. Hoje somos (quase) todos escravos do trabalho, com excepção de uma minoria. Como dizia Agostinho da Silva, (sobre)vivemos sem tempo para outra coisa senão "ganhar a vida" que recebemos gratuitamente, sem tempo para contemplar, amar e criar, ou para simplesmente ser, constantemente ocupados e preocupados com a produção e o consumo de produtos, bens e serviços que na maioria são desnecessários, fúteis e muitas vezes prejudiciais, aproveitando apenas à minoria de investidores e especuladores que lucram com isso. A civilização do trabalho e do "neg-ócio" - a negação do "otium", a desocupação contemplativa, fonte de todo o conhecimento desinteressado - domina e escraviza tudo, desde os milhões de vidas humanas instrumentalizadas em actividades mecânicas, burocráticas e fastidiosas até ao número inconcebível de vidas animais industrializadas na produção de carne, peixe e lacticínios e aos recursos naturais, à biodiversidade e à paisagem de uma Terra devastada por este formigueiro alucinado, neurótico e "workaólico" em que se converteu a humanidade.

Se queremos libertar os humanos, os animais e a Terra temos de abandonar a nova religião do crescimento económico - com o seu novo deus-ídolo, o dinheiro e o lucro, os seus novos profetas-sacerdotes do marketing e da publicidade e os novos teólogos-economistas neoliberais ou socialistas produtivistas - e optar por uma sociedade onde se trabalhe menos e haja mais tempo livre para viver uma vida não centrada na produção e no consumo, com a vantagem de assim haver mais emprego para todos, menos destruição dos ecossistemas e das vidas dos animais e mais tempo livre para a cultura, o desenvolvimento pessoal e a felicidade. Mas isso exige, a par de recolocar a economia sob o domínio da política e esta sob a alçada da ética, da cultura e da espiritualidade (do despertar da consciência contemplativa), deixarmos de ser cúmplices da ganância institucionalizada e investirmos em vidas mais simples, com menos quantidade mas mais qualidade, reduzindo os desejos às necessidades, de modo a que a opulência de poucos não seja a miséria da maioria e haja uma abundância frugal para todos. Veja-se a fundamentação científica desta proposta na vasta obra do economista e filósofo Serge Latouche.

Esta nova atitude pode aprender-se e emergir mais facilmente nos povos, sociedades e culturas que preservam ritmos e formas de vida mais contemplativos, sustentáveis e festivos, como no Sul da Europa, África, América Latina, algum Oriente menos ocidentalizado e no mundo tradicional e indígena em geral, desde que se livrem da obsessão de imitarem o pior do estilo de vida europeu-ocidental. Comecemos por nós, portugueses e lusófonos, que temos a vocação histórica de promover pontes entre culturas e estamos numa posição estratégica ideal para trazermos para o Velho Mundo europeu ideias que o possam ressuscitar da decadência em que se afunda, vergado sob o peso das ideologias do trabalhismo, sejam de "direita" ou de "esquerda"".

~ Paulo Borges, "Quem é o Meu Próximo?", Lisboa, Mahatma, 2014, pp.188-189.

sábado, 29 de abril de 2017

terça-feira, 25 de abril de 2017

Livres por fora, escravos por dentro. É chato, mas há coisas que a política não muda

Livres por fora. Escravos por dentro. É chato, mas há coisas que a política não muda: o medo do silêncio e do desconhecido; o medo de si e dos outros; o medo da vida e da morte; o medo de sofrer e de amar; o medo de perder o medo; a ignorância de acreditarmos num eu separado do mundo; a possessividade e o apego; a raiva e a aversão; o orgulho, o ciúme e a inveja; a avareza e a avidez; tanta coisa que nos está a destruir e a destruir a vida neste planeta... Nada disto a política muda. Porque a política é quase sempre o refúgio numa mudança superficial por medo e recusa da mudança profunda. Por isso os discursos e os cravos de hoje poderão ser bem intencionados, mas não deixam de ser a habitual canção de embalar que nos anestesia e adormece para a verdadeira Mudança: a que jamais pode vir da política, mas apenas da Revolução da Consciência; não de partidos, governos ou oposições, mas de Ti. De Nós.

Livres por fora. Escravos por dentro.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Só Despertar é revolucionário

O melhor que se pode oferecer a si, ao universo e a todos os seres é uma consciência livre da ficção da separação entre si, o universo e todos os seres, é uma consciência desperta, infinita como o espaço que a tudo abrange. Só uma consciência desperta muda realmente o mundo, porque muda radicalmente a percepção da própria realidade. Sem isso, qualquer mudança é apenas ao nível da forma e da superfície, sem tocar o fundo. Mas, se reconhecermos que somos inseparáveis do próprio fundo infinito que a tudo e todos contém, a forma e a superfície das nossas vidas inevitavelmente mudará. É por isso que, só por si, a política, a economia, o direito e o activismo exterior jamais mudarão realmente o quer que seja. Só o Despertar é revolucionário. E tudo o mais vem por acréscimo.

sábado, 22 de abril de 2017

Fórum TERRA - Embaixadores Nacionais - Paulo Borges «Portugal a Cuidar d...



Comemora-se hoje o Dia Mundial da Terra, é a abertura oficial do Fórum Terra e esta é a minha mensagem enquanto um dos seus embaixadores: Apaixonemo-nos pela Terra!

domingo, 16 de abril de 2017

Ressuscitemos a cada instante!



"Sterben wird'ich, um zu leben!" ("Morrerei, para viver!")
~ Coro, Sinfonia nº2, Ressurreição, de Gustav Mahler



Comemora-se hoje a Ressurreição de Cristo. Ressurreição, tradução do grego "anástasis", significa "estar de pé" ou "estar novamente de pé". Estamos realmente de pé? Ressuscitamos da depressiva ilusão de existirmos separados do Cosmos, da Terra e de todos os seres e coisas? Ressuscitamos do medo, egocentrismo e violência que aí se originam? Ressuscitamos do esquecimento de sermos Céu-Terra e tudo o que existe, sente e respira? Ressuscitemos a cada instante. Mais do que celebrar a Páscoa, sejamos Páscoa, ou seja, "Passagem". Que em nós a cada momento o Mar se abra e passemos para além de toda a dualidade, apego e aversão, para além de todo o nascer e morrer. É isto o melhor que podemos oferecer ao mundo. Porque isto é o Mundo Novo, o Novo Céu e a Nova Terra, o Corpo de Glória: tudo o que a ciência, a política, a economia e a comunicação social nem sequer imaginam. Ressuscitemos, Irmãos!

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Paulo Borges - Filósofo - Uma entrevista à Televisão de Macau



Uma entrevista minha à Televisão de Macau, onde falo do meu mais recente livro sobre Fernando Pessoa, de Agostinho da Silva, de Portugal, da Europa, da Lusofonia, de religião, espiritualidade, meditação, silêncio, intervenção meta-política, transformações silenciosas, decrescimento sereno, felicidade interna bruta, mudança da civilização, Circulo do Entre-Ser, Outro Portugal Existe e outras coisas.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Viver e Morrer em Paz e Consciência Plena - 18 de Março - 10-17h - Av. Duque de Ávila, 95, 3º


Viver e Morrer em Paz e Consciência Plena

Data: 18 de Março | das 10h às 17h

Estamos realmente vivos, no sentido de estarmos a apreciar, a usufruir e a sentirmo-nos gratos por tudo o que a vida nos oferece, abundante e gratuitamente, a cada instante? Temos isso como garantido ou estamos conscientes de que tudo é impermanente e pode mudar a qualquer momento?

Quais são as nossas prioridades na vida? E quais são os principais factores da nossa identidade, do nosso sentimento de sermos quem somos? São essas prioridades e factores algo que possamos manter para sempre e que corresponda à nossa natureza e potencial mais profundos?

Estamos conscientes de que a transição chamada morte é inevitável, que pode acontecer a qualquer momento e estamos preparados para partir sem remorsos e em paz, desfrutando de tudo o que esta experiência nos pode oferecer? O que fazer para nos prepararmos desde já para a transição da morte, de modo a que tanto quanto possível não nos surpreenda desprevenidos e a vivermos assim uma vida mais consciente e plena?

O workshop ajudar-nos-á a responder de dentro a estas questões, mediante exercícios de reflexão e meditação e a partilha de informação procedente da sabedoria budista tibetana.

Facilitador: Paulo Borges - Procura seguir a via do Buda desde 1983 segundo a tradição Nyingma do budismo tibetano, integrando a partir de 2012 os ensinamentos de Thich Nhat Hanh e pertencendo por esta via desde 2015 à escola Linji (Rinzai) do budismo Ch’an / Zen. Professor de meditação e filosofia budista desde 1999, tem orientado centenas de aulas, cursos, workshops e retiros em todo o país. Professor de Filosofia da Religião, Pensamento Oriental e Filosofia e Meditação na Universidade de Lisboa. Cofundador e ex-presidente da União Budista Portuguesa (2002-2014). Ex-presidente (2005-2013) e membro da Direcção da Associação Agostinho da Silva. Cofundador e presidente do Círculo do Entre-Ser. Tradutor de livros budistas, como Estágios da Meditação, de Sua Santidade o Dalai Lama (2001), o Livro Tibetano dos Mortos (2006) (com Rui Lopo), A Via do Bodhisattva, de Shantideva (2007), O Caminho da Grande Perfeição, de Patrul Rinpoche (2007) e O que não faz de ti um budista, de Dzongsar Jamyang Khyentse (2009). Autor e organizador de 45 livros, entre os quais O Budismo e a Natureza da Mente (2006, com Carlos João Correia e Matthieu Ricard), O Buda e o Budismo no Ocidente e na Cultura Portuguesa (organizador, com Duarte Braga) (2007), Descobrir Buda (2010), Quem é o Meu Próximo? (2014) e O Coração da Vida. Visão, meditação, transformação integral (guia prático de meditação) (2015).

Local: Sede do Círculo do Entre-Ser: O Coração do Mundo – Centro de Estudos e Práticas para o Despertar da Consciência – Av. Duque de Ávila, 95, 3º andar, Lisboa (a 2 minutos do metro do Saldanha)

Contribuição: 40 euros
Uma real indisponibilidade financeira não é impeditiva.
Uma contribuição superior ao sugerido é bem-vinda se tiver disponibilidade e sentir ser justo.

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Inscrições:
- preenchendo o formulário: https://goo.gl/forms/AzC56Es1ao3q3Eod2
ou
- enviando email para inscricoes@circuloentreser.org
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Chegar 15 m mais cedo para fazer o pagamento
(não dispomos de multibanco)

quarta-feira, 15 de março de 2017

VITA CONTEMPLATIVA 2017 Práticas Contemplativas e Cultura Contemporânea - 20/21 Março - 14h - FLUL


VITA CONTEMPLATIVA 2017
Práticas Contemplativas e Cultura Contemporânea

Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

20 de Março

14:00 Sessão de Abertura
Carlos João Correia

14:15 – 16:15 Meditação, Arte e Literatura
(moderador: Fabrizio Boscaglia)

Susana Chasse
Desenho como Meditação. A percepção do agora.

Davide Trasparente
Arte, Espírito e o nó do nosso tempo

Sandra Battaglia
A Dança como caminho do Eterno

José Eduardo Reis
Plena consciência literária: “Desculpe, a casa é tão pequena, / Mas pratique o seu saltitar, /Por favor, Senhora Pulga!”

16:15 – 18:00 Meditação, Ética e Terapia
(Moderadora: Paula Morais)

Eva Ndrio
Valores Universais, Consciência e Práticas Meditativas – O caso da Universidade dos Valores

João Ferreira
O Budismo e a psicoterapia

Daniela Velho
Meditação e cura profunda. Práticas meditativas para despertar a mente e curar o corpo

18:00 – 20:00 Meditação e Filosofia
(Moderador: Paulo Borges)

Pedro Teixeira da Motta
As Bússolas contemplativas da Luz e da Verdade, do Espírito e da Divindade

José Manuel Anacleto
Reflexão, Contemplação e Libertação

Jorge Rivera
A meditação como lugar de verdade

Carlos Silva
Meditação como recordação do esquecimento

Conclusão - Experiência meditativa

21 de Março

14:30 – 16:00 Meditação, Arte e Ecologia
(Moderadora: Paula Morais)

Sara Inácio
Alvorada - o sentimento de ligação à Terra

Pedro Cuiça
Caminhada Holotrópica – Ecosofia e Eco-espiritualidade

Isabel Correia
Contribuição da Meditação na Responsabilidade social e consciência Ecológica

16:00 – 18:00 Meditação e Espiritualidade
(Moderador: Paulo Borges)

Paula Morais Antunes
Patañjali Yoga darshana: Dhyána Samádhi: contemplação, conhecimento e libertação

Ana Paula Martins Gouveia
Cultura Contemplativa e Práticas Temporâneas: Motivações e Implicações do Fazer Filosófico Budista

Fabrizio Boscaglia
Silêncio, retiro, fome e vigília no Sufismo de Ibn ʿArabī

Gilda Monteiro
Meditação Cristã, um Caminho para a Paz

18:00 – 19:45 Meditação, Contemplação e Mindfulness
(Moderador: Fabrizio Boscaglia)

António Carvalho
Os dispositivos da mindfulness: tecnologias do sujeito, neurónios e subjetividades neoliberais

Sónia Matos Machado
Contemplação e equanimidade: formas integradas de desenvolvimento humano

Paulo Borges
A meditação numa encruzilhada. Das ambiguidades da mindfulness ao pleno despertar da consciência

Conclusão e Encerramento
Experiência meditativa

Comissão Científica:

Carlos João Correia
Paulo Borges

Comissão Organizadora:

Fabrizio Boscaglia
Paula Morais
Paulo Borges

Entrada Livre
Metro: Cidade Universitária

Organização: Seminário Permanente “VITA CONTEMPLATIVA – Práticas Contemplativas e Cultura Contemporânea” do Grupo de Filosofia Prática do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa
Apoio: Círculo do Entre-Ser, associação filosófica e ética

segunda-feira, 13 de março de 2017

O Apocalipse segundo Fernando Pessoa e Ofélia Queirós - Casa Fernando Pessoa, 18:30, 13 de Março


Tenho o prazer de vos convidar para a pré-apresentação, hoje, na Casa Fernando Pessoa, às 18.30, deste espectáculo, de cujo guião sou autor:

O projeto "O Apocalipse segundo Fernando Pessoa e Ofélia Queirós", de autoria de Paulo Borges, é um Espectáculo interdisciplinar, desafiado por Miguel Babo (produtor e actor) e escrito por Paulo Borges, professor do Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, autor de vários livros sobre Fernando Pessoa. Conta com trabalho de imagem e multimédia de André Rangel, ainda com a direção musical e composição original de Rui Filipe Reis e com a Ámalgama Companhia de Dança na Coreografia e direção de Movimento.

Este espectáculo reúne várias artes – literatura, teatro, música, canto, dança – em torno da ideia do reencontro de Fernando Pessoa e Ofélia Queirós no Cais das Colunas, num plano intemporal e visionário muito ligado ao imaginário de Lisboa, do Tejo e do Atlântico. Num modelo inspirado no Apocalipse segundo São João, Ofélia revela a Pessoa a verdade fundamental sobre o sentido do seu encontro e do amor e obtém o reconhecimento do Pessoa ortónimo e dos seus vários heterónimos. A obra dá voz a passagens e momentos capitais da vida e obra de Pessoa e recria o episódio da Ilha dos Amores de Luís de Camões, em torno de Pessoa e Ofélia. A obra recria ainda aspetos fundamentais da mitologia cultural portuguesa, centrais em Fernando Pessoa, como a vocação universalista da mesma cultura para unir Oriente e Ocidente e contribuir para uma metamorfose da consciência e uma nova civilização mais fraterna em relação aos seres vivos e à Terra.

Programa
- Palestra do autor do guião, Paulo Borges
"Seria Ofélia Queirós a grande oportunidade de Fernando Pessoa?"
- Conversa com os autores criativos:
Miguel Babo(encenador) | Paulo Borges (escritor) | Rui Filipe (compositor) | Sandra Battaglia (coreógrafa)
- Projecção do video promocional e apresentação do futuro livro e CD
- Momento musical com um excerto do espectáculo, com Rui Filipe ao piano

Contactos e informação
Amálgama Companhia de Dança
919 580 569

domingo, 5 de março de 2017

Meditação e experiência do Real - Frei Laurence Freeman e Paulo Borges - 10 de Março - 16h


"Meditação e experiência do Real"
Conferências, Partilha, Diálogo, Encontro

Fr. Laurence Freeman OSB e Paulo Borges

Partilha e diálogo entre as visões e vivências de dois representantes da tradição cristã e budista sobre a relação entre meditação e experiência da realidade última. Seguir-se-á um debate com os presentes. Será também a oportunidade para um encontro inter-religioso e haverá uma meditação no final.

Laurence Freeman OSB é um monge beneditino da Congregação de Monte Oliveto e Director da Comunidade Mundial de Meditação Cristã, uma comunidade contemplativa ecuménica. Professor internacional, conferencista e líder de retiros, é o autor de muitos artigos e de livros que incluem: “O Ser Altruísta”, “Jesus: O mestre interior”, “Primeira vista: A experiência da fé” e “Campo da Beleza”.
É Director da Meditatio, o programa de divulgação externa da comunidade, que envolve o mundo secular nos temas Educação, Saúde Mental, Negócios, Dependência e Recuperação, Ciência, Meio Ambiente e Medicina. O Pe. Laurence tem conduzido diálogos e iniciativas pela paz como “O Caminho da Paz” com o Dalai Lama e é activo no diálogo inter-religioso com líderes de outras religiões. Ele recebeu a Ordem do Canadá em 2012 em reconhecimento ao seu trabalho em prol do diálogo inter-religioso e da promoção da paz mundial. O Pe. Laurence lidera o ensino da meditação cristã às crianças e aos estudantes, visando a recuperação da sabedoria contemplativa na Igreja e na sociedade em geral.

Paulo Borges é professor de Filosofia e Meditação, Pensamento Oriental, Filosofia da Religião e Filosofia e Literatura no Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Sócio-fundador e ex-presidente da União Budista Portuguesa. Sócio-fundador e presidente do Círculo do Entre-Ser, associação filosófica e ética.
Autor de centenas de conferências e artigos em revistas científicas e obras colectivas, publicados em Portugal, Espanha, França, Itália, Roménia, Alemanha e Brasil, bem como de 43 livros de ensaio filosófico, poesia, ficção e teatro. Praticante de meditação e da via do Buda desde 1983, na escola Nyingma do budismo tibetano, integrando a partir de 2012 os ensinamentos de Thich Nhat Hanh, sendo desde 2015 filiado na escola Linji (Rinzai) do budismo Ch’an / Zen. Co-organizador das duas vindas de S. S. o Dalai Lama a Portugal. Realizou desde 1999 centenas de conferências, workshops, cursos e retiros de meditação e introdução ao budismo por todo o país. É autor de "O Coração da Vida" (guia prático de meditação).

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Organização: Seminário Permanente "Vita Contemplativa - Práticas Contemplativas e Cultura Contemporânea" do Grupo de Filosofia Prática do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa / Comunidade Mundial para a Meditação Cristã.
Apoio: Círculo do Entre-Ser, associação filosófica e ética.

Local: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Anfiteatro III
Alameda da Universidade, 1600-214 Lisboa (Metro: Cidade Universitária)

Entrada Livre

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

T. já regressara ao Paraíso

“T. caminhava como se cada passo fosse o primeiro e o último, tocando a Terra como amante a amada. Cada passo era carícia em plena atenção, sem antes nem depois, precisa e não adiada. A Terra, enamorada, estremecia e abria-se a cada toque num silencioso brotar de águas vivas. T. e a Terra eram aliança, elo e halo, tão vibrante que até as aves suspenderam o seu canto, para mais sentirem no ar, nos ramos e nas asas a pujança daquele amor, a irradiação daquele silêncio, o júbilo daquele reencontro.

T. já regressara ao Paraíso”

~ “A Vida de T.”, fragmento de um Diário de Espantos.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Há alguma coisa de novo, interessante e excitante a procurar e a encontrar na vida?

Há alguma coisa de novo, interessante e excitante a procurar e a encontrar na vida? Sim, o total abandono dessa busca e dessa expectativa. Então tudo se manifestará a cada instante novo, interessante e excitante.

Porque a busca e a expectativa de coisas novas, interessantes e excitantes são precisamente a rotina, a banalidade e o aborrecimento que, em fuga a si mesmos, nos mantêm na distracção e na superficialidade que nos impedem de experimentar que tudo, a começar por nós mesmos, é desde sempre e a cada instante tremendamente novo, interessante e excitante. Infinitamente extraordinário e maravilhoso.

Experimentem esquecer estas palavras e repousar agora mesmo a atenção onde quer que seja: respiração, azul do céu, rosto da pessoa mais próxima, objecto mais perto de vós, centro das vossas mãos. Vêem e sentem o Milagre!?

Curso de Introdução à Via do Buda – nível I - 17 e 24 de Janeiro, 19-22h


Curso de Introdução à Via do Buda – nível I (teórico-prático)
17 e 24 de Janeiro | (3ªs feiras, 19-22h)

O curso consiste numa introdução teórico-prática aos fundamentos da via do Buda ou do pleno Despertar da consciência. Aliaremos o estudo de textos, a reflexão e a compreensão intelectual à experiência directa e à vivência interior mediante exercícios meditativos praticados em cada sessão e propostos para ser desenvolvidos em casa. Serão fornecidos textos de apoio.

I.

1. A vida e o Despertar de Siddhartha Gautama. Buda histórico e natureza de Buda. O Discurso de Benares e as Quatro Nobres Verdades: a insatisfação (dukkha), sua origem, sua extinção e a via que aí conduz. A Via do Meio entre hedonismo e ascetismo, essencialismo e niilismo. O Óctuplo Caminho: visão, pensamento, discurso, acção, modo de vida, esforço, atenção e concentração correctos. O sentido experimental e não dogmático da via do Despertar.
Exercícios meditativos: calma mental (shamatha).

II.

A Roda da Vida (bhava-chakra). Os doze elos da origem interdependente e as quatro meditações que afastam do samsara: preciosa vida humana, impermanência e morte, causalidade kármica e sofrimentos do samsara.
2. Verdade relativa e verdade absoluta.
3. Exercícios meditativos: metta-bhavana. As quatro meditações ilimitadas: amor, compaixão, alegria e equanimidade.


O curso será orientado por Paulo Borges. Praticante da via do Buda desde 1983 segundo a tradição Nyingma do budismo tibetano, integra a partir de 2012 os ensinamentos de Thich Nhat Hanh e é desde 2015 filiado na escola Linji (Rinzai) do budismo Ch’an / Zen. Professor de meditação e filosofia budista desde 1999, tendo orientado centenas de aulas, cursos, workshops e retiros em todo o país. Professor de Filosofia da Religião, Pensamento Oriental e Filosofia e Meditação na Universidade de Lisboa. Cofundador e ex-presidente da União Budista Portuguesa (2002-2014). Ex-presidente (2005-2013) e membro da Direcção da Associação Agostinho da Silva. Cofundador e presidente do Círculo do Entre-Ser. Autor e organizador de 45 livros, entre os quais "O Budismo e a Natureza da Mente" (2006, com Carlos João Correia e Matthieu Ricard), “O Buda e o Budismo no Ocidente e na Cultura Portugesa” (organizador, com Duarte Braga) (2007), "Descobrir Buda" (2010), “Quem é o Meu Próximo?” (2014) e "O Coração da Vida. Visão, meditação, transformação integral (guia prático de meditação)" (2015).

Contribuição: 40 euros
Uma real indisponibilidade financeira não é impeditiva.
Uma contribuição superior ao sugerido é bem-vinda se tiver disponibilidade e sentir ser justo.

Este valor deverá ser pago na 1ª sessão, pedimos que cheguem um pouco mais cedo para o efeito. Não dispomos de multibanco.

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Inscrições:
- preenchendo o formulário: https://goo.gl/forms/TGclmc3whj0SaosE2
ou
enviando um email para inscricoes@circuloentreser.org
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O Coração do Mundo, sede do Círculo do Entre-Ser:
Av. Duque de Ávila, 95 – 3º andar
Metro: Saldanha

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A vida é um sonho da consciência, como a arte e a literatura

A vida é um sonho da consciência, como a arte e a literatura. A diferença é que estas tendem a ser sonhos lúcidos, enquanto a vida não. A arte e a literatura são em geral mais verdadeiras que a vida, porque a consciência sabe serem criações suas que a cada instante se podem transformar, enquanto pelo contrário leva mais a sério o sonho da vida, tanto o vivendo como mais real quanto mais inconsciente está de que tudo nele é também inseparável da sua própria criação, narrativa e interpretação. Ou seja, arte e literatura, igualmente. Por isso nele sofre mais. E é por isto que a arte e a literatura são o sonho consciente que mitiga a dor do sonho inconsciente do viver. Viver tudo como um sonho lúcido é despertar.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Amai tudo


A bordo do barco para o Barreiro, rodeado de todo o mundo e ninguém, o Bem-Aventurado manteve-se recolhido em silêncio e o silêncio converteu-se num murmúrio:

“Em verdade, em verdade vos digo que tudo é sagrado. Este rio é sagrado e sagradas são as terras que banha. Sagrados sois vós e tudo o que percepcionais, ó esquecidos. Amai pois cada vaga e cada grito de gaivota, cada pedra da calçada e cada animal de rua, cada nuvem que passa e cada brisa que vos alisa o rosto. Amai muito tudo, pois tudo, mais do que próximo, vos é íntimo. Amai tudo, pois se não amardes tudo não amareis e vereis que sois também o Pai-Mãe, a Presença que em tudo se oferece. Amai tudo, pois se não amardes tudo jamais vos amareis a vós mesmos”.

Continuou recolhido em silêncio. E à sua volta todos continuaram absortos nos telemóveis, auscultadores, jornais, livros, pensamentos e preocupações.

Uma gaivota gritou no céu anoitecido e a sirene do barco soou, pois havia muito nevoeiro.

~ Sutra-Evangelho de Lisboa, III, 13.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

"Serás comigo o Paraíso"


"Os céus abriram-se no metro do Rossio à hora de ponta. Assim escutei eu:

Queres saber quem és? Sonda toda a angústia e saudade desta multidão. Agarra pelo braço o mais próximo, olha-o nos olhos, beija-lhe o coração. O teu nome aparecerá escrito em todo o lado. Mas será apenas um instante. Logo te esquecerás para sempre e serás comigo o Paraíso"

Sutra-Evangelho de Lisboa (revelado numa vertigem a bordo de um cacilheiro, confirmado num espanto na Cova do Vapor, traduzido para uma língua sem boca), VIII, 24.


Sutra-Evangelho de Lisboa, XI, 3


"Assim escutei eu:

Contemplem o entardecer na barra do Tejo. Abandonem tudo o que mais amam. Morram de bem-aventurança. Comunguem a hóstia do Real. Preservem o silêncio na ponta da língua. Este Vento já em vós sopra desde sempre. Quem tiver pulmões que respire"

Sutra-Evangelho de Lisboa (revelado numa vertigem a bordo de um cacilheiro, confirmado num espanto na Cova do Vapor, traduzido para uma língua sem boca), XI, 3.