Blogue pessoal de Paulo Borges. Um espaço em prol do despertar da consciência e de um novo paradigma cultural, ético-político e civilizacional, centrado no bem comum de todos os seres, humanos e não-humanos, e da Terra.
“Sou feito da inteira evolução da Terra; sou um microcosmo do macrocosmo. Nada há no universo que não esteja em mim. O inteiro universo está encapsulado em mim, como uma árvore numa semente. Nada há ali fora no universo que não esteja aqui, em mim. Terra, ar, fogo, água, tempo, espaço, luz, história, evolução e consciência – tudo está em mim. No primeiro instante do Big Bang eu estava lá, por isso trago em mim a inteira evolução da Terra. Também trago em mim os biliões de anos de evolução por vir. Sou o passado e o futuro. A nossa identidade não pode ser definida tão estreitamente como ao afirmar que sou inglês, indiano, cristão, muçulmano, hindu, budista, médico ou advogado. Estas identidades rajásicas são secundárias, de conveniência. A nossa identidade verdadeira ou sáttvica é cósmica, universal. Quando me torno consciente desta identidade primordial, sáttvica, posso ver então o meu verdadeiro lugar no universo e cada uma das minhas acções torna-se uma acção sáttvica, uma acção espiritual”
“Um ser humano é parte do todo por nós chamado “universo”, uma parte limitada no tempo e no espaço. Nós experimentamo-nos, aos nossos pensamentos e sentimentos, como algo separado do resto – uma espécie de ilusão de óptica da nossa consciência. Esta ilusão é uma espécie de prisão para nós, restringindo-nos aos nossos desejos pessoais e ao afecto por algumas pessoas que nos são mais próximas. A nossa tarefa deve ser a de nos libertarmos desta prisão ampliando o nosso círculo de compreensão e de compaixão de modo a que abranja todas as criaturas vivas e o todo da Natureza na sua beleza”
- Einstein
“Na verdade, não estou seguro de que existo. Sou todos os escritores que li, todas as pessoas que encontrei, todas as mulheres que amei, todas as cidades que visitei”
- Jorge Luis Borges
domingo, 11 de agosto de 2013
Ideias para uma nova política internacional portuguesa
Portugal deve continuar onde sempre esteve: no planeta Terra. E se há relações que devem ser privilegiadas é com todos os povos, nações e culturas. Relações transversais aos Estados, tantas vezes meras abstracções criadas, a ferro e fogo, para dividir e enfraquecer as comunidades reais. Relações que privilegiem, por sua vez, tudo o que de melhor se está a fazer no planeta por um novo paradigma de civilização, que salve a Terra e os seres vivos, humanos e animais, da destruição que está a ser promovida pela globalização do modelo mental e económico europeu-ocidental e neoliberal.
No plano das relações internacionais do Estado português só se justifica a saída da Zona Euro quando as desvantagens e os sacrifícios de permanecermos superarem os de sairmos, o que por enquanto não se verifica. Pode, todavia, tornar-se uma realidade a curto/médio prazo e devemos estar preparados para essa eventualidade. O federalismo europeu pode ser uma boa solução, se assegurar a equidade político-económica entre as nações europeias e libertar a Europa do peso da Alemanha. E isso não impede que Portugal se aproxime, também economicamente, de outras nações mais próximas pela história, pela língua e pela cultura: não só as nações lusófonas, mas também as ibéricas (Espanha virá inevitavelmente a desmembrar-se) e as mediterrânicas, incluindo as do Norte de África. Portugal deve mesmo, com as nações do Sul da Europa, Espanha, Itália e Grécia, criar um bloco de resistência à hegemonia alemã e norte-centro europeia.
Todavia, nestas aproximações e relações internacionais, impõe-se um critério superior ao da história, da língua e da cultura: o da ética, da justiça e do bem. Portugal deve privilegiar relações com nações que respeitem os direitos humanos, dos animais e do ambiente. Neste sentido, a par de promover relações mais estreitas com as nações da sua área histórico-cultural que sejam mais fiéis a esses valores, Portugal deve inspirar-se e privilegiar contactos com nações que investem num novo paradigma civilizacional, como a Bolívia, que aprovou uma lei que consagra “o desenvolvimento integral em harmonia com a Mãe Terra e o Bem Viver”, e o Butão, que integrou nos princípios da sua governação a Felicidade Interna Bruta, da população, considerando-a mais importante do que o Produto Interno Bruto.
O mundo está em acelerada Mudança e importa que Portugal não continue a perder o comboio, permanecendo refém de todo o tipo de visões estreitas. Sobretudo se quiser cumprir a sua maior vocação, segundo a visão de Luís de Camões, Padre António Vieira, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva: contribuir para o surgimento de um Mundo Novo, com uma consciência nova, global e integral, como se simboliza na esfera armilar.
sábado, 20 de abril de 2013
"É a Europa que deve colaborar na desocidentalização do mundo"
- Raimon Panikkar, “Méditation européenne après un demi-millénaire” (1992).
Creio que a vocação histórico-cultural de Portugal passa em boa medida por ser mediador desta desocidentalização, mas a respeito da própria Europa, regenerando-a ao trazer até ela outras matrizes culturais, no movimento inverso das Descobertas, pelas quais contribuiu para levar o modelo Europeu-ocidental a todo o mundo, com a consequente e actual globalização que está a uniformizar e a destruir a diversidade cultural planetária, submetendo tudo ao paradigma do desenvolvimento capitalista e da tecnociência.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
"... ir o País de Camões entrar no supermercado da C.E.E, e ir ser consumista sem dinheiro, o que quero ver"

"E aqui pararia e pediria desculpa de me ter alongado até tão tarde, que já quase vem o dia onze, véspera, não se esqueça, de ir o País de Camões entrar no supermercado da C.E.E, e ir ser consumista sem dinheiro, o que quero ver.
Comigo, não há risco. Tenho bastante de Barca d'Alva e de Porto, de América Latina e de África, de Nagasaqui e de Macau e de Timor, para que me dê qualquer tentação de afogar-me nos pântanos de leite da sobredita Europa".
- Agostinho da Silva, Caderno de Lembranças, 2006 (escrito em 1986)

